Todo dia chego em casa, sento no sofá da garagem e abro o Netflix pra ver o que tem de novo. Queria algo leve para distrair e ir dormir cedo. Tinha uma animação estreando - taí! Desenhos animados sempre distraem a gente, nos relaxam e pronto.
Mas não foi bem assim.
Pra quem ainda não assistiu, a protagonista do filme é a mão. Seu dono, Naoufel, o coadjuvante - com todos os clichês dos personagens perdedores. A narrativa é a aventura da mão procurando o dono e suas lembranças de quando estavam juntos.
Agora a minha viagem sobre o desenho, he, he...
Há algumas coisas constantes no desenho: a mosca, a tentativa de pegá-la, os diálogos sobre o destino - se é possível alterá-lo ou se somos predestinados a viver exatamente aquilo.
Quando criança, Naoufel tenta, a todo custo, pegar uma mosca. Seu pai lhe ensina a antecipar para onde ela vai e aí sim dar o bote. É como se a mão fosse seu ego e, a mosca, seu destino. Esta mesma mosca é, por ironia, quem causa o acidente que mata seus pais - ela que faz o bode ir pra pista.
Outra cena marcante em que a mosca aparece é a hora em que a mão é decepada. Naoufel tá de ressaca, bravo pelo acontecido na festa e quer concluir o trabalho na serralheria, quando a mosca aparece na serra. Na tentativa de ganhar da mosca, insiste em pegá-la a qualquer custo, até que seu relógio enrosca na serra cortando sua mão. Quando a mão cai, a mosca se força para sair por entre seus dedos. Como se o entendimento do seu destino fosse a própria dissolução do seu ego.
Aí que chega a hora da virada repentina - de mudar seu destino fazendo algo inusitado, seguindo sua intuição, desprovido de ego - representada pelo salto do teto da fábrica ao guindaste.
A mão quer voltar, porém na cena final fica claro que não há mais lugar pra ela na vida de Naoufel. Ele já se libertou. Ele já entendeu. Ele já acordou.
Há outras simbologias durante a animação. O iglu que ele faz pode representar seu íntimo/coração, por exemplo, que ele só mostra para Gabrielle, deixando-a entrar e revelando sua obsessão inicial por ela. A travessia da mão até o prédio é uma viagem épica, quase que uma epopeia, com obstáculos e "monstros" pelo caminho.
Agora, se você procura um desenho pra relaxar antes de dormir, não recomendo não. Passei algumas horas acordado tentando entender o que tinha acontecido - tudo que é subjetivo dá margem para um zilhão de interpretações.
E não tem jeito, a gente é humano. A gente pensa e sofre.
Principalmente quando fica pensando em quantas mãos mais terá que perder pra saltar do prédio até o guindaste...
Esta é minha teoria, minha interpretação. Qual é a sua?
Johnny Mau
Mas não foi bem assim.
Pra quem ainda não assistiu, a protagonista do filme é a mão. Seu dono, Naoufel, o coadjuvante - com todos os clichês dos personagens perdedores. A narrativa é a aventura da mão procurando o dono e suas lembranças de quando estavam juntos.
Agora a minha viagem sobre o desenho, he, he...
Há algumas coisas constantes no desenho: a mosca, a tentativa de pegá-la, os diálogos sobre o destino - se é possível alterá-lo ou se somos predestinados a viver exatamente aquilo.
Quando criança, Naoufel tenta, a todo custo, pegar uma mosca. Seu pai lhe ensina a antecipar para onde ela vai e aí sim dar o bote. É como se a mão fosse seu ego e, a mosca, seu destino. Esta mesma mosca é, por ironia, quem causa o acidente que mata seus pais - ela que faz o bode ir pra pista.
Outra cena marcante em que a mosca aparece é a hora em que a mão é decepada. Naoufel tá de ressaca, bravo pelo acontecido na festa e quer concluir o trabalho na serralheria, quando a mosca aparece na serra. Na tentativa de ganhar da mosca, insiste em pegá-la a qualquer custo, até que seu relógio enrosca na serra cortando sua mão. Quando a mão cai, a mosca se força para sair por entre seus dedos. Como se o entendimento do seu destino fosse a própria dissolução do seu ego.
Aí que chega a hora da virada repentina - de mudar seu destino fazendo algo inusitado, seguindo sua intuição, desprovido de ego - representada pelo salto do teto da fábrica ao guindaste.
A mão quer voltar, porém na cena final fica claro que não há mais lugar pra ela na vida de Naoufel. Ele já se libertou. Ele já entendeu. Ele já acordou.
Há outras simbologias durante a animação. O iglu que ele faz pode representar seu íntimo/coração, por exemplo, que ele só mostra para Gabrielle, deixando-a entrar e revelando sua obsessão inicial por ela. A travessia da mão até o prédio é uma viagem épica, quase que uma epopeia, com obstáculos e "monstros" pelo caminho.
Agora, se você procura um desenho pra relaxar antes de dormir, não recomendo não. Passei algumas horas acordado tentando entender o que tinha acontecido - tudo que é subjetivo dá margem para um zilhão de interpretações.
E não tem jeito, a gente é humano. A gente pensa e sofre.
Principalmente quando fica pensando em quantas mãos mais terá que perder pra saltar do prédio até o guindaste...
Esta é minha teoria, minha interpretação. Qual é a sua?
Johnny Mau

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